Introdução

¡Hola! Diretamente de Santiago de Compostela, estou aqui para escrever mais um post para vocês, espero que gostem. O post vai ficar separado na série Trabalhar no exterior, remoto, viagens e etc., tem outros dois posts já criados se você ainda não viu e agora tem mais um!

O post de hoje também foi extraído das milhares (sim, foram mais de 6500 perguntas! Várias repetidas, mas mesmo assim! O_O) deste formulário.

Enquanto vou escrevendo esse post, vou ouvindo uma banda muito maneira que o Wellington Mitrut me recomendou e que eu curiosamente já até tinha numa das minhas playlists favoritas. A banda em questão é a Rival Sons, vai lá e ouve um pouco =)

A ideia aqui será escrever alguns pontos importantes que você precisa saber para conseguir um trabalho no exterior ou então trabalhar remoto para uma empresa do exterior. Não estou dizendo que se você tiver tudo isso você vai conseguir um emprego logo de cara, mas as chances de você conseguir algo serão bem maiores. E se você está achando que eu vou falar que você precisa saber aquele framework da moda e etc, está enganado. Eu vou falar mais sobre coisas que não necessariamente tem só a ver com seu conhecimento técnico. E vamos aos pontos!

Perca o medo!

Isso mesmo! A primeira coisa que eu digo para você é, perca o medo! Se você está aqui nesse post é porque você provavelmente quer muito trabalhar fora, mas sempre fica com aquilo na cabeça “Ainda não estou no nível certo. Quando eu aprender X, aí sim eu vou arriscar…”. Deixa isso para lá, se você nunca tentar, você nunca vai saber qual nível de fato que eles querem lá fora. E sabe o que vai acontecer se você não passar? Isso mesmo, nada!

Não pense que você está desperdiçando chances se tentar para uma empresa e não conseguir. Pelo contrário, você está se testando e analisando mercado. E muitas das empresas dão uma segunda chance depois de um tempo. Então quer algo melhor do que tentar uma vaga para algum lugar, não passar, mas pelo menos ter uma ideia do que se é pedido?

E quando eu digo perder o medo eu digo de tudo, isso conta aquele seu inglês que é bom e você nem sabe, porque tem medo de falar com qualquer pessoa. Eu vou falar mais disso num próximo ponto, continue lendo =D

Tenha foco e não tente abraçar o mundo

Outra coisa que acontece demais com todo mundo (to me incluindo aqui) é querermos abraçar o mundo. O que digo com isso? É querer aprender tudo, querer saber Javascript (todos os frameworks lançados a cada segundo, enquanto você está lendo já lançaram 5!), Python, Ruby, Scala, Haskell e até aquela linguagem que você nem sabia que existia, mas te falaram que tem muita procura no mercado lá da Lituânia!

Não importa que todo dia nasce um Framework JS novo, não importa que te falaram que linguagem X dá muito dinheiro nos EUA. Tenha um foco em mente e se especialize naquilo. Existe mercado para todo mundo e ainda mais para aqueles que conhecem bem determinada coisa. Se você está se dedicando a aprender Angular (insira qualquer outra coisa aqui) e está entendendo e evoluindo, não pare só porque disseram que React é mais procurado. Quando você para e começa outra coisa muito frequentemente, você acaba não ficando realmente bom em nenhuma coisa e isso vai te prejudicar se no teste fizerem perguntas mais específicas. Entenda que não estou falando para não testar coisas novas, muito pelo contrário, isso é muito legal e super ajuda! Estou só dizendo para fazer uma coisa de cada vez =)

Não tenha medo de teoria

Muitos desenvolvedores acabam aprendendo boa parte das coisas na prática e isso é fantástico! Só que dentro disso, está uma pequena armadilha também. Muita gente aprende na prática que se usar X funciona, mas se usar Y não funciona. Só que o mais importante “Por que isso funciona assim?”, as vezes é deixado de lado. Se você conseguir aliar a teoria à prática, de forma que você realmente entenda os processos, isso além de te salvar horas debugando, vai te permitir ter discussões melhores e ideias melhores sobre determinado assunto. É por isso que muitos testes para fora são mais focados em algoritmos e estrutura de dados, pois eles entendem que se você sabe sobre os processos, aprender o ecossistema da empresa será muito mais rápido e fácil. Então toma um tempinho para dar uma olhada em Algoritmos e Estrutura de Dados, tente fazer alguns desafios do HackerRank ou outros similares, garanto que vai te abrir o mundo.

O Jean Carlo Emer fez uma palestra bem foda falando um pouco disso, olha os slides aqui e o vídeo aqui.

Pesquise, pergunte, não tenha dúvidas

Se você tem vontade de trabalhar fora, primeiro você precisa fazer várias perguntinhas e colocar elas numa balanca.

Não adianta muito você simplesmente dizer que quer trabalhar fora e não se orientar sobre nada, porque bom… Existem centenas de países por aí e se você sequer sabe uma empresa que quer ou um país, como que você vai começar?

Tendo algumas ideias, saia perguntando para quem você conhece que já trabalhou no lugar ou que mora próximo, essas coisas. Crie uma rede! As vezes essa pessoa pode te ajudar mais do que você pensa =)

Inglês, ahh o temido Inglês…

Não poderia deixar de aparecer esse assunto quando falamos em exterior né? O Inglês é uma língua global e fundamental para quem está na área de desenvolvimento, mesmo que você sequer queira trabalhar fora ou se mudar de país. Um tempo atrás eu postei o seguinte no Twitter:

Muita gente concordou, mas tiveram alguns poucos que não concordaram com a afirmação. Lembrando que eu não estava generalizando e dizendo que se você não sabe inglês, você não é um bom programador. Eu conheço programadores fantásticos, mas que não são tão bons no inglês, mas já estão correndo atrás pelo menos =p

Eu falei no post passado que temos devs brasileiros tão bons ou até melhores que os programadores lá de fora. Mas o que acontece é que o número de programadores que fala/escreve em inglês é muito superior aos que o fazem em português. Com isso, o material em inglês acaba sendo mais rico e mais vasto. E se você sabe inglês, olha quanto conteúdo maneiro se abre para você? Isso te permite evoluir e aprender muito mais rápido, o que, consequentemente, vai te permitir melhores oportunidades tanto dentro como fora do Brasil.

Ok, você já entendeu que o inglês é de extrema importância para nossa área. Mas e aí fica a dúvida, qual nível que eles pedem lá fora? Pessoal, relaxem, ninguém vai te pedir para escrever um livro utilizando a melhor gramática de Oxford ou te fazer dar um discurso para presidente dos EUA.

O mais importante numa comunicação é entender e se fazer entendido. Nada mais.

Claro que não rola fazer entrevistas se você só sabe o verbo to be e the book is on the table. Mas se você é capaz de se comunicar (mesmo que lhe falte um pouco de vocabulário e alguns errinhos de concordância) e principalmente de entender o que falam contigo, isso é mais do que meio caminho andado. Você vai ver que depois de um tempo imerso na língua, as dificuldades vão começar a desaparecer.

Lembre-se também que, com exceção de EUA, Canadá, UK, a maioria dos outros países também não tem inglês como língua nativa. Isso significa que a mesma dificuldade que você tem as vezes, as pessoas também terão! Eu até hoje não conheci um Francês/Belga que tivesse uma pronúncia 100% correta, é difícil para caramba para eles! O mesmo eu diria dos espanhóis, eu estou passando uma temporada na Espanha e já trabalhei em alguns coworkings aqui onde tinha bastante gente que sabia beeeem pouquinho de Inglês, mas ficavam super felizes de conversar e treinar comigo.

Então minha dica para vocês é, se dedique em inglês tanto quanto a linguagem de programação, pois o inglês vai te abrir portas muito mais facilmente que só a linguagem.

Aí vem aquela outra pergunta bem comum “Tem como aprender rápido e fácil? Preciso para ontem!”. A resposta para essa pergunta é “depende”, eu diria que rápido e fácil não tem como. Não espere sair do Nível Joel Santana para um palestrante do TEDX da noite para o dia. O inglês como qualquer outra língua requer tempo para que você se acostume e se adapte a ela. Mas existem algumas maneiras que podem ajudar no processo.

Eu diria que as melhores formas que eu conheço seriam: Intercâmbio em algum país que tenha inglês como língua nativa ou ter aulas com algum professor de língua nativa. E claro, o mais importante de tudo, é praticar e praticar e praticar. Mudar todas os eletrônicos e contas para o inglês. Assistir séries em inglês, ouvir as músicas e ler as letras. Enfim, tentar ficar o mais imerso possível!

Sobre ter aulas com professor de língua nativa, eu conheço o iTalki, alguns amigos fazem ou já fizeram e dizem que ajuda bastante. Lá você pode marcar aulas com um professor nativo e ele vai te guiar da melhor forma possível. É muito mais efetivo que uma turma de 20 cabeças no Brasil, por exemplo…

E sobre intercâmbio, eu fiz o meu na Irlanda e você pode ler nesse post aqui. Eu era uma das pessoas que já tinha um inglês razoável, mas achava que era um bosta completo e tinha muito muito nervoso de falar em inglês até para o espelho! E bom, quando eu cheguei na Irlanda, eu tive que me virar. Claro que na Irlanda tem muitos brasileiros, mas eu sempre me forçava a falar em inglês e também fazia muita coisa sozinho, só para ter que falar.

Lembro até hoje que no meu segundo dia em Dublin, eu parei para ver um artista de rua fazendo uma pintura e ele começou a conversar comigo, eu suava da cabeça aos pés, mas fui falando e tentando entender na medida do possível. No final da conversa eu pedi desculpas pelo meu inglês ruim e o cara simplesmente falou “Eu notei que você não é daqui, mas eu entendi tudo que você falou e você me entendeu também, não é isso que importa?”, me deu um tapinha nas costas e sorriu. Eu saí tão feliz dali que depois disso eu tentava falar sobre qualquer coisa com qualquer um.

Tem um outro relato sobre intercâmbio bem legal de um programador também, que você pode ler aqui. Ele foi para os EUA e também se virou para aprender.

E como sempre, o fórum do FrontendBR sempre tem uma issue bacana para ajudar em qualquer coisa, você pode ler essa daqui.

Crie um portfólio

Não, eu não estou falando que você precisa criar aqueles sites mirabolantes com os seus 189723871 trabalhos que você na real nem tem e vai ficar desesperado lendo isso. Um portfólio para um dev pode ser uma simples conta no Github com alguns códigos, que podem ser até de estudos mesmo! Você pode ajudar em issues de tradução, criação de documentação, pesquisar por tags como starter,beginner e começar a ajudar as pessoas com as coisas fáceis. Eu escrevi um post falando exatamente da importância do Github para o Desenvolvedor.

Você também pode ajudar mais na comunidade, escrever num blog, participar de eventos, palestrar, etc, isso também ajuda bastante. Mas lembre-se, o objetivo não é começar a fazer essas coisas só porque você quer ganhar visibilidade. Essas coisas vem naturalmente, faça um trabalho bem feito e as pessoas vão começar a te seguir e os convites vão rolar =)

Outra coisa bastante importante para o RH lá fora é ter um Linkedin bem completo, pois muitos headhunters procuram por ali e se você tiver algumas coisas por lá, fica mais fácil de entrarem em contato contigo.

Mire nas empresas e vai na fé!

Se você acha que já tem tudo acima e só tava com medo perde esse medo! Aplique para as empresas e vê no que vai dar. Talvez você seja reprovado na primeira, na segunda, na décima! Mas o importante é não abaixar a cabeça, não desistir e continuar tentando que uma hora vai!

Sobre onde procurar vagas, vou fazer aqui um jabá, a Toptal tá sempre contratando, mas tem também o board do Stackoverflow, o Linkedin Jobs e se algum de vocês conhece outros maneiros, manda que eu coloco aqui!

Conclusão

Bom gente, espero que com esse post vocês entendam que não é um bicho de sete cabeças trabalhar para uma empresa do exterior e que o mais importante está nas Soft Skills. O negócio é não ter medo de tentar, como já diziam “Quem não arrisca, não petisca!”. E lembrando, isso é uma série de posts, se ficou faltando algo, provavelmente virá em um outro post, então fica ligado nas redes para não perder o próximo post!