Introdução

Fala pessoal, o William Oliveira me pediu para participar de uma entrevista para o Training Center, demorei demaaaais para fazer, mas acabei enviando para ele esses dias. Você pode ler no Medium ou só seguir o post aqui, que a entrevista está na íntegra também.

Enquanto escrevi a entrevista e até agora, estou ouvindo a mesma banda, que é Mt. Wolf, eles tem um som muito legal e ótimo para relaxar, se curte um som mais calmo e atmosférico, vai sem medo =D

Bom, vamos ao post que interessa, mais um pouquinho da minha história em palavras curtas.

Apresentação

Profile Photo

Olá, meu nome é Willian Justen e sou de uma cidade na serra do Rio de Janeiro chamada Petrópolis (carinhosamente apelidada de Silent Hill brasileira). Tenho 27 anos e atualmente sou Desenvolvedor Front-End no Core Team da Toptal, onde trabalho remotamente com pessoas do mundo todo, mas antes de trabalhar nela, trabalhei também em algumas empresas bem interessantes como HUGE, Globo.com e Queremos/WeDemand.

Escrevo num blog pessoal e também crio cursos, que hoje estão sendo transferidos para a plataforma da Udemy.

Como você conheceu a área de Desenvolvimento?

No meu blog eu fiz um post falando um pouquinho da minha história e como passei a me interessar por Desenvolvimento. Mas basicamente foram vários pequenos encontros, que foram me deixando cada vez mais e mais interessado pela área.

Quando mais novo eu amava brincar com o RPG Maker e sonhava em trabalhar numa Nintendo ou Blizzard da vida, criando jogos. Mas acabou que foi chegando a época de vestibular e como eu era muito bom em Química, eu decidi ir para Química. Sim meus amigos, eu fiz 4 anos de Química Industrial e pasmem ainda mais, eu desisti no último período =D

Dentro da Química, eu acabei descobrindo uma área que era de Modelagem Molecular, onde basicamente utilizávamos grandes computadores (clusters) para fazer cálculos e predizer estruturas moleculares para então criar esses elementos em 3D. Foi paixão a primeira vista e eu comecei a aprender ainda mais de programação, como Fortran (que vida…), OpenGL, C/C++, Python, além de aprender mais sobre Linux e grandes servidores.

E como você pode notar, eu fui deixando a Química totalmente de lado. Quando surgiu a oportunidade de administrar um servidor privado de World of Warcraft (não só instalar e rodar, mas mexer no código mesmo), foi o momento que eu repensei e falei para mim, ok, é isso que eu quero. Quero ser desenvolvedor! Voltei a morar na minha cidade natal, iniciei um curso de TI e estamos aí até hoje.

Por que você escolheu ser Desenvolvedor Remoto?

É engraçado dizer isso, mas eu resolvi ser Desenvolvedor por causa das frustrações/felicidades que eu tinha cada vez que eu tentava fazer algo. Como eu comecei na área como um curioso, eu passava horas e horas fazendo um monte de merda e tentando entender por que não funcionavam e, as vezes, para entender por que funcionavam também. E sempre depois dessas frustrações, quando eu entendia, vinha uma felicidade tão grande, que me fez ver que era isso que eu queria para mim!

I hate programming, I hate programming, it works!!! I love programming

Outro grande motivo de eu me interessar pela área de Desenvolvimento foi a comunidade, apesar de sempre ter um ou outro idiota, tem muita gente querendo se ajudar. Isso é algo que eu não vejo tanto em nenhuma outra área!

E o desejo de trabalhar remoto começou quando eu decidi sair da empresa que estava, para iniciar meus projetos paralelos e viajar um pouco pelo mundo. Minha primeira forma de trabalhar remoto, foi criando meus cursos, que uniam o útil ao agradável, eu gosto muito de ensinar e poderia usar disso, para tentar juntar uma graninha para viajar. Fiz até o post Mudando sua vida através de projetos paralelos explicando esse desejo de mudança.

Muita gente da área vislumbra poder trabalhar remoto, alguns porque preferem ter mais tempo em casa, outros porque acham que assim não vão se chatear com chefes, outros para tentar receber um salário melhor, enfim, são vários os motivos para se querer trabalhar remoto e são outros vários para não se querer também.

Como foi o seu primeiro trampo (alocado)?

Eu costumo dizer que tive 2 primeiros trampos na área. O primeiro de todos foi exatamente quando eu saí da Química, eu tinha voltado para minha cidade natal, mas eu não queria ficar parado, já estava “velho” e tinha acabado de desistir de uma faculdade no final, se eu ficasse parado, a família iria encher o saco.

Eu fui virar então, um professor de cursinho de informática, ensinando Windows, Office, Linux e Redes/Hardware. Pode parecer um emprego bem ruim (na real era mesmo), mas aprendi muitas coisas com ele. Se hoje dou cursos e tenho didática, é porque observei demais como os meus alunos, desde crianças de 7-8 anos até idosos de 70 anos, iam aprendendo e absorvendo as coisas.

O problema desse emprego é que eu não estava necessariamente aprendendo nada novo da área e isso me chateava um pouco. Então na primeira oportunidade eu fui tentar uma vaga de estágio numa agência web em Petrópolis mesmo. E bom, foi lá que tudo começou.

A vaga era para desenvolvedor web, mas eu não sabia praticamente nada de web! O que eu fiz? Bom, uma semana antes de fazer a entrevista, eu resolvi montar um CV diferente, para tentar chamar a atenção, já que eu não tinha tanto conhecimento em web, mas eu já tinha um pouco de conhecimento de Photoshop e outras linguagens. Eu criei então um CV, basicamente uma imagem, utilizando o formato do Windows 8, aquela interface Metro, com ícones e cores flat.

Viram meu CV e resolveram me chamar para uma entrevista, como a agência era pequena, o próprio dono da agência me entrevistou. Ele me perguntou se eu já tinha criado alguns sites, o que eu já sabia. E eu basicamente falei que nunca tinha feito nenhum site na vida, mas que eu já tinha mexido com programação e que poderia aprender qualquer coisa muito rápido, contanto que ele me desse uma chance. Ele era meio carrasco e cético, mas falou que iria me dar uma chance num contrato de estagiário por 1 mês e se ele gostasse, poderia continuar mais tempo.

Na semana seguinte a entrevista, eu comecei nessa agência no mesmo dia que meu mentor e grande amigo, Guilherme Louro. Ele, apesar de já ser bastante experiente, também estava em seu primeiro dia e então sentou do meu lado e fomos batendo papo e organizando as coisas para poder começar a trabalhar. Acho que a cada 5min eu chamava ele para me explicar alguma coisa, me impressiono como ele não me mandou a merda xD

E foi ali que eu comecei a dar meus primeiros passos na web. Eu aprendi muita coisa e muito rápido. Mas a coisa mais importante que aprendi foi:

Um bom mentor pode te fazer se apaixonar pelo que faz e pode fazer você querer crescer e fazer ainda mais.

Eu fiquei nessa empresa por 1 ano e meio, quando decidi que queria tentar alguma coisa na capital (RJ), pois lá tinham mais coisas, melhores salários e trabalhos mais interessantes e foi assim que fui parar na Queremos. O detalhe é que eu descobri essa vaga num tweet do Bernard De Luna.

Como foi o seu primeiro trampo (remoto)?

Bom, essa é uma área relativamente nova para mim. Minha primeira experiência remota foi para uma empresa americana, que eu trabalhei como freela contratado por 3 meses para ajudar a construir um site para um evento. Foi muito legal e muito frustrante ao mesmo tempo. Foi a primeira vez que eu trabalhei tendo que falar numa outra língua que não o Português e bom, eu ficava extremamente nervoso para me comunicar, mas foi aí que eu descobri um primeiro truque.

Se você não conseguir se comunicar bem falando. Escreva! Você vai pensar 2x no que quer falar e aí vai ser mais fácil de ser entendido.

Sempre que tinha alguma coisa que eu não tinha entendido claramente, eu pedia para me mandarem um email e com isso, tudo ficava mais claro e a comunicação fluía. E outra coisa importante também é:

As pessoas não esperam que você fale como Shakespeare, eles querem saber se você entendeu, suas opiniões e o que você vai fazer.

E bom, o meu primeiro trabalho remoto de forma oficial tem sido o meu atual trabalho na Toptal. Muita gente confunde a Toptal, achando que ela é só uma rede de freelancers que prestam serviço para outras empresas. Mas não é bem assim não, existem váaarias pessoas que trabalham para manter a plataforma, como desenvolvedores, designers, diretores e outras váaaarias áreas.

Farei depois um post falando do processo da Toptal em si, mas ele é basicamente dividido em: entrevista de inglês/perfil, entrevista+live coding com um desenvolvedor, outro projeto live coding com 2 desenvolvedores, conversa com o VP da empresa. Essa última etapa eu fiz na estrada, enquanto estava viajando pela Irlanda, foi bastante engraçado que parei na primeira cidadezinha que tinha, não devia ter nem 200 habitantes ali.

Na Toptal são vários times, cada um é responsável por algum pedaço da plataforma e/ou produtos internos. Nos comunicamos pelo Slack o dia todo, fazemos bastante pair programming usando o Screenhero ou qualquer outro app que compartilhe tela, temos daily como qualquer equipe, retrospectivas e updates semanais da empresa como um todo. Utilizamos o Gìthub para versionar nosso código e possuímos um processo de code review muito legal, onde todos tentam ajudar para ter o melhor código entregue no final.

Por mais que estejamos em todos os lugares do mundo, a gente tá sempre perto devido aos canais de comunicação e é bastante divertido saber onde cada um está, a Toptal influencia bastante a galera viajar, ir a eventos e etc. Abaixo segue uma foto de uma Daily do time:

Foto da Equipe com 14 pessoas numa videoconferência

E segue aqui um belo print que um amigo do time resolveu fazer, quando eu estava trabalhando sentado numa cadeirinha com as montanhas da Austria no fundo…

Uma foto minha com um amigo dizendo "That's what I call I participate on daily calls from anywhere"

Quais são as skills de quem trabalha nesta área?

Eu poderia falar uma lista imensa de tecnologias e coisas que saem a cada segundo, mas não é bem isso que se é preciso. O importante está nas soft skills, é ter vontade de aprender, não ter medo de errar ou não saber algo, ter paciência e disciplina.

Para ser um desenvolvedor você precisa se acostumar a se frustrar bastante até conseguir algo, mas a consquista final vale por toda a frustração. Mas calma, não precisa achar que ser desenvolvedor é um sofrimento sem fim, muito pelo contrário, essa busca por entender as coisas e por fazer funcionar, te molda e te melhora a cada segundo, por isso é bom ter paciência e dedicação.

Para quem deseja trabalhar remoto, o mais importante de tudo é disciplina e comunicação. Trabalhar de casa ou onde for não é uma tarefa fácil, você possui muito mais coisas que podem te atrapalhar e te tirar o foco. E claro, sua mentalidade não pode mudar, trabalhar remoto não significa que você vai poder dormir até tarde, ficar só viajando e jogando videogame. Você precisa criar seus horários, precisa de um espaço que consiga trabalhar adequadamente e comunicar qualquer coisa aos seus parceiros. Se você tiver algum problema/dificuldade, seja rápido e avise, assim o time pode te ajudar com isso. Se você não falar, ninguém terá como descobrir e isso é altamente prejudicial.

Quais são os principais desafios da área?

O primeiro grande desafio é saber gerenciar seu tempo! E digo isso não só para quem trabalha remoto, mas para quem trabalha alocado também. Nossa área está em constante evolução e precisamos estar sempre estudando e nos atualizando (não, não estou falando para seguir a modinha do momento). A procrastinação é um problema grave e para isso existem várias formas que você pode fazer para tentar diminuir isso, escrevi um post bem antigo sobre isso aliás.

E aliado a um bom gerenciamento do tempo, vem a disciplina, um desenvolvedor remoto precisa manter essa disciplina, por mais que tenham distrações, focar no que é importante e necessário, para então poder fazer as outras coisas que desejar.

Quais são as principais recompensas da área?

A primeira coisa que eu destaco como uma recompensa é a comunidade, temos uma área muito legal, que tá sempre se ajudando e criando coisas novas todos os dias.

A outra são as oportunidades de trabalho, existem em todos os cantos e com salários muito bons, seja para trabalhar no Brasil como fora dele.

E focando no trabalho remoto, as pessoas costumam dizer que só isso já é uma recompensa. E bem, é uma recompensa e tanto. Você consegue ter uma melhor qualidade de vida, economizar tempo não fazendo deslocamento (pense que uma pessoa pode perder 4h indo e vindo do trabalho), estar mais perto da família, viajar com mais frequência e trabalhar de onde quiser, enfim, são várias vantagens.

Você pensa em mudar de área?

Nossa área é tão ampla e tão legal, que não posso dizer que não posso estar fazendo uma outra coisa no futuro. Eu confesso que o sonho de criança/adolescente de ser um Desenvolvedor de Games ainda é bem grande, então, quem sabe um dia? Mas hoje, eu diria que estou bem feliz com o que eu faço.

Por que alguém deveria se tornar um(a) desenvolvedor(a) remoto?

Se você é uma pessoa disciplinada, que tem um lado auto-didata forte e tem desejo de estar um pouco mais livre de escritórios e montar seu próprio tempo, o trabalho remoto é perfeito para você.

Mas uma dica que acho muito importante é, o trabalho remoto não foi feito para quem está começando e não é para qualquer um, pode frustrar e prejudicar mais do que ajudar. Eu digo isso porque é muito importante que no início você tenha contato com pessoas da área que poderão te orientar e ajudar, além de entender como são as dinâmicas de trabalho. Só assim você estará apto para adquirir mais disciplina e enfrentar o trabalho remoto, que como dito antes, tem muitas vantagens porém desafios bem grandes também.